"Prisionês", a linguagem na prisão

Elaborar um dicionário com palavras e expressões presentes na linguagem dos presídios é um desafio constante, pois o jargão é dinâmico e varia significativamente por região e até mesmo entre diferentes unidades prisionais. No entanto, organizamos um dicionário extenso que abrange termos comuns e alguns mais específicos e, sempre que possível, com nuances regionais (especialmente de São Paulo)

A

Aba: Parte lateral da cela.

Abertura: O momento em que as celas são abertas para atividades ou banho de sol.

Abono: Saída temporária da prisão concedida sob certas condições.

Acerto: Ajuste de contas, muitas vezes envolvendo violência ou ameaças.

Aço: Arma branca improvisada (faca, estilete).

Afastado: Preso que está isolado dos demais por segurança ou punição.

Ala: Seção ou pavilhão dentro da prisão.

Aliviar: Roubar, furtar algo de outro preso.

Alô: Saudação entre presos.

Amarelar: Demonstrar medo ou recuar em uma situação de confronto.

Amigo: Termo usado para se referir a membros da mesma facção ou grupo.

Aniversário: Data em que o preso completa mais um ano de pena.

Apavoro: Situação de grande medo ou tensão.

Arrancar: Conseguir algo com dificuldade ou à força.

Artigo: Referência ao artigo do Código Penal pelo qual o preso foi condenado.

Atividade: Trabalho realizado pelos presos dentro da unidade (quando há).

Atrasado: Preso que não cumpre as regras da facção ou do grupo.

Avisar: Informar, alertar sobre algo.

Azedar: Dar errado, complicar.

B

B.O.: Boletim de Ocorrência (referindo-se a incidentes dentro da prisão).

Bala: Tiro (em contextos de rebelião ou confronto).

Balaio de Gato: Situação confusa, briga generalizada.

Banco: Dinheiro (geralmente ilícito).

Bandeira: Símbolo ou identificação de uma facção.

Barba: Tempo de prisão. “Ele tem muita barba” significa que está preso há muito tempo.

Barraco: Confusão, briga verbal.

Base: Local onde um grupo ou facção se concentra dentro da prisão.

Bate-grade: Conversa entre presos de celas vizinhas através das grades.

Bate-lata: Helicóptero da polícia.

Bege: Maconha de baixa qualidade.

Bica: Pequena quantidade de droga.

Bico: Trabalho informal ou ilegal dentro da prisão.

Biqueira: Ponto de venda de drogas dentro da prisão.

Biziu: Informação, notícia.

Boca: Ponto de venda de drogas dentro da prisão.

Boca de Fumo: O mesmo que “boca”.

Boi: Privada/Vaso Sanitário  se refere ao local onde os presos fazem suas necessidades fisiológica. Em algumas prisões, pode ser um buraco no chão.

Boqueiro: Pessoa responsável pela venda de drogas na “boca”.

Bota: Pessoa que impõe respeito e tem liderança.

Broca: Fome intensa.

Bronca: Reprimenda, advertência.

Bruxo: Pessoa que pratica magia negra ou rituais dentro da prisão.

Bucha: Pessoa ingênua, fácil de enganar.

Bunda: Ato de ser preso. “Deu bunda” significa que foi preso.

Buraco: Cela de isolamento ou local escondido.

Busca: Revista nas celas.

C

Cabra: Homem.

Cabueta: Dedo-duro, informante.

Cacareco: Objeto velho ou sem valor.

Cachaça: Bebida alcoólica.

Cadeia: Prisão.

Cadeião: Prisão maior ou mais antiga.

Cadeia do Comando/Cadeia Favorável: Prisão sob forte influência de uma facção (ex: PCC em SP).

Café: Pequena quantia de droga.

Caixa: Refere-se à administração da prisão ou à direção. Também pode significar dinheiro.

Caixão: Cela (em algumas gírias mais antigas ou regionais).

Caminhada: Histórico criminal do preso. Também pode se referir a atividades ilícitas dentro da prisão.

Canário: Informante da administração penitenciária ou de outros presos.

Cana: Prisão. “Pegar cana” significa ser preso.

Caneta: Agente penitenciário (gíria menos comum).

Capa: Proteção, defesa.

Capacete: Pessoa que usa drogas pesadas.

Carcaça: Pessoa magra e debilitada.

Carona: Ajuda, favor.

Carta: Mensagem escrita entre presos ou para fora da prisão.

Cartucho: Munição (em contextos de rebelião).

Casa: Prisão.

Casinha: Cela.

Cavalo: Pessoa forte e respeitada dentro da prisão.

Cebola: Confusão, tumulto.

Cela: Quarto onde os presos ficam confinados.

Celo: Agente penitenciário (gíria menos comum).

Cerca: Muros ou grades da prisão.

Chapa: Pessoa de confiança, parceiro.

Chapéu: Culpa. “Sobrou pra mim o chapéu” significa que a culpa foi jogada em você.

Chave: Agente penitenciário.

Chaveiro: Agente penitenciário responsável por abrir e fechar as celas.

Chegado: Amigo próximo.

Cheiro: Cocaína.

Chibata: Punição física (em contextos mais antigos ou informais).

Chico: Cigarro.

Chiqueiro: Cela em condições precárias.

Choque: Tropa de choque da polícia ou agentes penitenciários especializados em controle de rebeliões.

Colar: Ser preso novamente após ter sido solto.

Comando: Grupo organizado de presos com influência dentro da prisão (facção).

Comédia: Pessoa engraçada ou que faz papel de bobo.

Comer: Ter relações sexuais (dentro da prisão, geralmente entre visitantes e presos).

Companheiro: Membro da mesma facção ou grupo.

Confere: Contagem dos presos.

Contato: Pessoa de fora que ajuda o preso (com drogas, informações, etc.).

Conto: Mil reais.

Corpo: Conjunto de presos de uma determinada facção ou grupo.

Correr: Fugir.

Corre: Realizar alguma atividade para conseguir algo (comida, cigarro, etc.).

Corró: Roda de conversa entre presos.

Cota: Quantidade de droga que um preso pode ter.

Cozinha: Local onde os presos preparam alimentos (quando permitido).

Cria: Pessoa que nasceu e cresceu na prisão (filho de presas).

Crime: Atividade ilegal.

Crônica: Usuário de drogas de longo prazo.

Cruzado: Pessoa que mudou de facção ou grupo, muitas vezes correndo risco.

Cuíca: Informante (gíria menos comum).

Cunha: Pessoa influente que pode ajudar dentro da prisão.

Cura: Maconha de boa qualidade.

Curto: Pouco tempo de prisão.

Custodiado: Preso, detento (termo mais formal usado por agentes).

D

Dar a volta: Superar uma dificuldade ou sair de uma situação ruim.

Dar banca: Se mostrar superior ou ameaçador.

Dar cano: Não cumprir um acordo ou promessa.

Dar perdido: Fugir.

Dar um abraço: Cumprimentar.

Dar um flagra: Ser pego em flagrante.

Dar um rolezinho: Circular pelo pátio ou áreas comuns.

Debaixo da asa: Protegido por alguém influente.

Decreto: Ordem ou regra estabelecida por uma facção dentro da prisão.

Dedéu: Dedo-duro, informante.

Delegacia: Distrito policial onde o preso é levado após a prisão.

Detento: Pessoa que está presa (termo formal).

Dez: Dez reais.

Diário: Registro informal dos acontecimentos da cela ou do pavilhão.

Disciplina: Conjunto de regras estabelecidas pela administração ou pelas facções.

Disse me disse: Fofoca.

Doce: LSD ou outra droga sintética.

Dograu: Pessoa influente e respeitada dentro da facção.

Dormir: Morrer (em contextos de ameaça).

Droga: Substância ilícita.

Ducati: Bicicleta (gíria menos comum).

Duro: Sem dinheiro.

E

É a fita: É a verdade, é certo.

Em cana: Preso.

Em cima: No controle da situação.

Em off: Discretamente, escondido.

Encaixotado: Preso em cela pequena ou superlotada.

Encostar: Chegar perto, abordar.

Enquadro: Revista feita pelos agentes penitenciários.

Entocar: Esconder algo.

Entregador: Pessoa que leva drogas ou outros itens para dentro da prisão.

Esconderijo: Local secreto para guardar objetos ilícitos.

Escrever: Fazer um bilhete ou carta.

Esquema: Plano, organização (legal ou ilegal).

Esticado: Endividado.

Estouro: Rebelião, motim.

Estrada: Liberdade (quando o preso está perto de sair).

Eva: Maconha (gíria menos comum).

Evadido: Preso que fugiu.

F

Facção: Grupo criminoso organizado com atuação dentro e fora das prisões.

Falar a real: Dizer a verdade.

Família: Pessoas próximas e leais ao preso, incluindo membros da facção.

Farda: Uniforme dos agentes penitenciários.

Favela: Comunidade pobre, muitas vezes associada à criminalidade.

Fazer a cabeça: Influenciar alguém.

Fazer a limpa: Roubar tudo de um local ou pessoa.

Fazer a mente: Conversar, tentar convencer.

Fazer BO: Criar um problema, confusão.

Fazer escola: Aprender com a experiência da prisão.

Fazer fita: Fingir, simular.

Fazer um corre: Realizar alguma atividade para conseguir algo (comida, cigarro, etc.).

Fazer um estrago: Causar problemas ou danos.

Fazer um filme: Criar uma história fantasiosa.

Fazer um regaço: Roubar com violência.

Fazer um rolo: Negociar, trocar algo.

Fazer um trampo: Realizar um trabalho (legal ou ilegal).

Fazer vaquinha: Contribuir financeiramente para algo.

Falso: Pessoa não confiável.

Ferro: Arma de fogo.

Ficar bolado: Ficar irritado.

Ficar esperto: Prestar atenção, ficar atento.

Ficar na miúda: Agir discretamente.

Ficar na responsa: Assumir a responsabilidade.

Ficar no veneno: Estar com raiva ou rancor.

Filé: Algo bom, de qualidade.

Fita: Situação, história, conversa.

Fixa: Quantia fixa de dinheiro (geralmente para a facção).

Flagrante: Momento da prisão durante a prática do crime.

Foguete: Usuário de crack.

Fora: Liberdade.

Foragido: Preso que escapou da prisão.

Fornada: Grupo de presos que chegou recentemente à unidade.

Frente: Pessoa que lidera um grupo ou facção em uma determinada área da prisão.

Fugão: Fogão improvisado na cela.

Fumo: Maconha.

Função: Cargo ou responsabilidade dentro da facção.

Fura-olho: Pessoa traiçoeira.

G

Galinha: Maconha (gíria menos comum).

Ganso: Pessoa ingênua ou fácil de enganar. Também pode ser informante da polícia.

Geral: Refere-se à população carcerária em geral ou a uma revista geral.

Gerente: Pessoa que administra a venda de drogas em uma “boca”.

Gillete: Lâmina usada como arma branca.

Girica: Bebida alcoólica artesanal feita na prisão.

Golpe: Roubo, furto ou fraude.

Gorila: Agente penitenciário grande e forte (gíria menos comum).

Grade: As barras de ferro das celas.

Grama: Quantidade de droga.

Gravata: Advogado

Gravata: Enforcamento (em contextos de violência).

Grito: Ordem ou comunicação importante dentro da prisão.

Grosso: Pessoa violenta ou intimidadora.

Guarita: Torre de vigilância.

Guerra: Conflito entre facções ou grupos rivais.

H

Habeas Corpus: Recurso legal para obter a liberdade de um preso.

Homem: Preso.

I

Ilegal: Refere-se a tudo que é proibido dentro da prisão, como drogas, armas improvisadas, celulares, etc.

Irmão: Termo usado para se referir a um membro da mesma facção criminosa. É um tratamento de respeito e lealdade.

Isolada: Cela de isolamento, geralmente usada como punição disciplinar ou para presos que precisam de proteção especial.

Interno: Termo formal usado por agentes penitenciários para se referir a um preso, detento.

Ideia: Pode se referir a uma ordem ou instrução dada por um líder da facção. “Qual que é a ideia?” pode significar “Qual é a ordem?” ou “O que precisa ser feito?”.

Ir pra gaveta: Gíria que significa morrer. A analogia é com o corpo sendo colocado em um caixão (gaveta).

Infiltrado: Pessoa que se faz passar por membro de um grupo para obter informações, geralmente para a administração penitenciária ou para outra facção rival. É sinônimo de “X-9” ou “canário”.

Incendiário: Preso conhecido por causar problemas, motins ou incêndios dentro da unidade.

Indulto: Perdão da pena concedido pelo governo em ocasiões específicas, como feriados.

Influência: Poder ou prestígio que um preso pode ter dentro da unidade, geralmente devido ao tempo de prisão, afiliação a facção ou histórico criminal.

J

Jaula: Cela.

Jerga: Gíria, linguagem específica de um grupo.

Jiboia: Corda feita com lençóis para escalar muros ou grades (perigoso e ilegal).

Jogo: Atividade ilegal, como apostas ou tráfico.

Jornada: Tempo de prisão.

Judiciário: Sistema de justiça.

Jumbo: Sacola com pertences e comida levada por familiares.

Junção: Encontro de membros de uma facção.

Junta: Grupo de presos.

L

Ladrão: Preso por crimes de furto ou roubo.

Lage: Teto da cela ou do pavilhão.

Lança: Arma branca improvisada.

Largar: Sair da prisão.

Lava: Bebida alcoólica improvisada.

Lei: Regras da prisão ou do código penal.

Lenha: Maconha (gíria menos comum).

Levantar: Conseguir dinheiro ou algo desejado.

Liberdade: Soltura da prisão.

Linha: Hierarquia dentro de uma facção.

Linha de frente: Membros mais ativos e importantes de uma facção.

Liso: Sem dinheiro.

Lista: Relação de membros de uma facção ou de pessoas a serem punidas.

Livramento: Soltura condicional.

Local: Prisão.

Loco: Pessoa considerada louca ou imprevisível.

Lojinha: Pequena venda de produtos dentro da prisão (legal ou ilegal).

Longa: Muito tempo de prisão.

Luz: Informação, notícia.

M

M.C.: Mensagem codificada (usada em bilhetes).

Mala: Pessoa problemática ou com histórico de confusão.

Malandro: Pessoa esperta, que tenta se dar bem.

Maloca: Aglomeração de presos em um espaço.

Malote: Conjunto de pertences de um preso.

Mané: Pessoa boba ou fácil de manipular.

Manga: Influência, poder.

Manhã: Dia seguinte.

Maria Joana: Maconha.

Marola: Pequena quantidade de droga.

Mascate: Preso que vende produtos dentro da prisão (legal ou ilegalmente).

Massa: Conjunto de presos.

Matar: Agredir gravemente ou assassinar.

Meiota: Cinquenta reais.

Melzinho: Cocaína (gíria menos comum).

Mensagem: Bilhete ou comunicação entre presos.

Mercadoria: Drogas ou outros itens ilegais.

Mesa: Local onde se reúnem líderes de uma facção.

Metade: Cinquenta centavos (gíria antiga).

Mexer: Envolver-se em algo, geralmente ilícito.

Miado: Dedo-duro, informante (gíria menos comum).

Mídia: Notícias sobre a prisão ou o mundo exterior.

Mijão: Pessoa que não cumpre acordos ou “cagueta”.

Mil grau: Situação extrema, perigosa.

Mina: Mulher (em referência a visitantes ou familiares).

Mióle: Cabeça, raciocínio. “Bater o mióle” significa pensar.

Miséria: Situação ruim, falta de recursos.

Mito: Pessoa respeitada e admirada.

Móio: Comida.

Moral: Respeito, reputação dentro da prisão.

Morcego: Pessoa que age escondida ou à noite (em referência a roubos noturnos).

Moscando: Desatento, distraído.

Mula: Pessoa que transporta drogas.

Mundo: O exterior da prisão.

Muro: As paredes da prisão.

N

Na atividade: Envolvido em alguma atividade ilícita dentro da prisão.

Na contenção: Sob controle dos agentes penitenciários.

Na disciplina: Cumprindo as regras da facção.

Na escuta: Prestando atenção, tentando obter informações.

Na fita: Verdadeiro, certo.

Na geral: Durante a revista geral.

Na humildade: Agindo com respeito e discrição.

Na moral: Agindo corretamente dentro das regras da prisão.

Na responsa: Assumindo a culpa ou responsabilidade.

Na tranca: Preso na cela.

Na visão: Estar atento, observando.

Nave: Carro (gíria usada por alguns presos que cometeram crimes relacionados a veículos).

Negócio: Atividade ilegal.

Nevada: Cocaína (gíria menos comum).

Nóia: Usuário de crack ou outras drogas pesadas.

Nome: Reputação, histórico criminal.

No aperto: Em situação difícil, com problemas.

No bico do corvo: Em perigo.

No fluxo: Seguindo as regras e a dinâmica da prisão.

No gelo: Isolado, sem contato com outros presos.

No giro: Circulando pela prisão.

Noia: Usuário de drogas (variação de “nóia”).

Noiado: Sob efeito de drogas.

Noiazeira: Comportamento de usuário de drogas.

Noiazinha: Pequena quantidade de droga.

No jogo: Envolvido em atividades ilegais.

No lixo: Em situação muito ruim.

No paiol: Escondido.

No seguro: Preso que está em uma cela separada por questões de segurança.

No veneno: Com raiva, rancor.

Nove: Revólver calibre nove milímetros.

Novidade: Informação nova.

Nuvem: Maconha (gíria menos comum).

O

Ocorrência: Incidente, problema dentro da prisão.

Olheiro: Pessoa que vigia para evitar flagrantes.

Opinião: Posição ou ordem de um líder da facção.

Oração: Reunião de membros de uma facção para discutir assuntos.

Osso: Situação difícil, problema.

Outra fita: Outra história, outra situação.

P

Pacote: Preso problemático ou conjunto de pertences.

Padaria: Local onde se faz a droga (gíria menos comum).

Paia: Ruim, de má qualidade.

Pai: Líder de uma facção ou grupo.

Paixão: Maconha (gíria menos comum).

Palavra: Promessa, compromisso. “Ter palavra” é ser confiável.

Palha: Cigarro de maconha.

Palhaço: Pessoa que não é levada a sério ou que causa problemas.

Panelinha: Grupo fechado de presos.

Pano: Roupa.

Parada: Assunto, situação.

Paranga: Maconha de baixa qualidade.

Parça: Amigo, companheiro de cela ou de grupo.

Paredão: Local de execução (em contextos de ameaça).

Passagem: Histórico criminal.

Passe: Pequena quantidade de droga.

Passeio: Saída dos presos para o pátio ou outras áreas.

Pasta base: Derivado da cocaína.

Patinha: Pessoa ingênua.

Pato: Pessoa que faz favores para outros presos, muitas vezes sendo explorada.

Pátio: Área externa da prisão para banho de sol e atividades.

Pavilhão: O mesmo que “ala”.

Paz: Tranquilidade, ausência de problemas.

P.C.C.: Sigla da facção Primeiro Comando da Capital (em SP).

Peça: Arma de fogo.

Pedra: Crack.

Pedreira: Situação difícil.

Pegar: Ser preso.

Pegar a visão: Entender a situação.

Pegar no flagra: Ser pego em flagrante.

Pegar um beck: Fumar um cigarro de maconha.

Peita: Camiseta (rasgar a peita pode significar sair da facção).

Peixe: Contato influente fora da prisão.

Pelé: Pessoa que se destaca em algo (nem sempre positivo).

Pente: Carregador de arma de fogo.

Perdido: Desorientado, fora da dinâmica da prisão.

Peru: Pessoa ingênua (similar a “pato”).

Peso: Influência, poder dentro da prisão.

Pica: Problema, situação difícil.

Pilha: Energia, disposição.

Pinga: Cachaça.

Pinote: Fuga.

Pipa: Bilhete, carta entre presos.

Pistola: O mesmo que “peça”.

Plantão: Período de trabalho dos agentes penitenciários.

Planta: Informação falsa.

Pocilga: Cela suja e mal conservada.

Pode crer: Concordar, acreditar.

Podre: Pessoa não confiável, delatora.

Pombo: Pessoa que leva mensagens ou objetos entre as celas.

Ponte: Ligação, contato entre pessoas ou grupos.

Ponto: Local de venda de drogas.

Porco: Agente penitenciário corrupto (gíria ofensiva).

Porta: Entrada da cela ou da prisão.

Posto: Local de trabalho dos agentes penitenciários.

Pote: Cela de isolamento, castigo.

Pouca ideia: Desrespeito, ameaça. “Não me dá pouca ideia” significa não me desrespeite.

Pra cima: Motivação, otimismo.

Praia: Liberdade (gíria menos comum).

Prateleira: Tempo de prisão restante.

Prego: Problema, dificuldade.

Prego batido e ponta virada: Assunto resolvido definitivamente.

Prejuízo: Perda, dano.

Presença: Comparecimento a reuniões da facção.

Processado: Preso que ainda não foi julgado.

Procurado: Pessoa com mandado de prisão.

Produto: Droga ou outro item ilegal.

Progresso: Mudança para um regime de pena menos rigoroso.

Psicopata: Pessoa perigosa e violenta.

Pular: Fugir da prisão.

Punheta: Arma branca improvisada (pedaço de metal afiado).

Pura: Droga de alta qualidade.

Puxar: Cumprir pena. “Tá puxando quanto?” significa qual a sua pena.

Puxar a capivara: Investigar o histórico de alguém.

Puxar o carro: Assumir a liderança.

Q

QAP: Código policial que significa “na escuta”. Usado informalmente por presos.

QRA: Nome (usado informalmente por presos).

QRU: Problema, ocorrência (usado informalmente por presos).

Quadrado: Grupo de presos.

Qual foi?: O que aconteceu? Qual o problema?

Qual que é?: O mesmo que “qual foi?”.

Quarenta e quatro: Revólver calibre .44 (gíria menos comum).

Quatorze: Gíria para homossexual (ofensivo).

Quebrada: Comunidade, periferia (onde muitos presos têm origem).

Quebra: Tumulto, rebelião.

Queimar: Delatar, expor alguém.

Quer que desenhe?: Precisa de explicação detalhada?

Quietinho: Discreto, sem chamar atenção.

Quinze: Gíria para homossexual (ofensivo).

Quitanda: Local de venda de drogas (gíria menos comum).

R

Rádio Corredor: Boatos, notícias informais que circulam na prisão.

Rafa: Fuga.

Rapa: Revista geral.

Rato: Ladrão (geralmente de pequenos furtos).

Rato de cela: Preso que passa muito tempo dentro da cela.

Real: Dinheiro.

Reboco: Teto da cela.

Recaída: Volta ao crime após ser solto.

Recolher: Levar os presos de volta para as celas.

Recolhimento: Ato de recolher os presos.

Rede: Sistema de comunicação informal entre presos.

Refém: Pessoa mantida sob ameaça durante uma rebelião.

Regime: O tipo de cumprimento da pena (fechado, semiaberto, aberto).

Régua: Regras, normas.

Relíquia: Objeto de valor sentimental dentro da prisão.

Remédio: Droga.

Resgate: Tentativa de fuga.

Respeito: Consideração e acatamento das regras e hierarquias.

Responsabilidade: Compromisso com as regras da facção.

Retirar: Roubar.

Ripa: Arma branca improvisada (pedaço de madeira).

Risco: Situação perigosa.

Roda: Reunião de presos.

Rolezinho: Caminhada pelo pátio.

Rolo: Negócio, troca.

Rosca: Favor, ajuda (geralmente com segundas intenções).

Rotina: As atividades diárias da prisão.

Rua: O mundo exterior, a liberdade.

Ruço: Pessoa mais velha dentro da prisão.

Rua: Liberdade.

S

Sacar: Entender.

Sacola: Família ou visitantes do preso. Também pode se referir a pertences.

Safado: Pessoa esperta e maliciosa.

Sal grosso: Proteção (usado em algumas expressões).

Saliva: Cachaça (gíria menos comum).

Salve: Mensagem importante da liderança da facção.

Sanção: Punição por descumprir regras.

Sangue bom: Pessoa leal e confiável.

Sapato: Dedo-duro, informante (gíria menos comum).

Se dar bem: Ter sucesso, conseguir algo.

Segurança: Agente penitenciário ou área de segurança da prisão.

Seguro: Cela separada para proteção.

Sem neurose: Calmo, tranquilo.

Sem palavra: Pessoa não confiável.

Sentença: Decisão judicial que estabelece a pena.

Sessão: Reunião de membros da facção.

Sete: Revólver calibre .36 (gíria menos comum).

Setenta e um: Gíria para golpe, fraude.

Sheik: Pessoa influente e rica dentro da prisão (geralmente envolvida com drogas).

Sintonia: Comunicação entre presos, geralmente por meio de códigos ou sinais.

Sistema: O sistema prisional como um todo.

Situação: Problema, ocorrência.

Sob controle: Situação calma e segura.

Sobrar: Ser responsabilizado por algo que outros fizeram.

Socorro: Ajuda.

Solta: Liberdade.

Soltura: Liberdade do preso.

Sombra: Pessoa que acompanha ou protege outra.

Sono: Morte (em contextos de ameaça).

Sossego: Tranquilidade.

Subir: Ser transferido para uma prisão mais rigorosa.

Sujo: Pessoa não confiável, envolvida em atividades ilícitas.

Superlotação: Excesso de presos em um espaço.

Sustento: Dinheiro ou bens para sobreviver na prisão.

Suíte: Cela individual (rara).

T

Talarico: Pessoa que se envolve com a companheira de outro preso.

Talento: Habilidade para atividades ilícitas.

Tapa: Roubo rápido e pequeno.

Tarifa: Valor cobrado por serviços ilegais dentro da prisão.

Tatuagem: Muitas vezes indica afiliação a facções ou histórico criminal.

Teia: Rede de contatos dentro e fora da prisão.

Telhado: Teto da cela ou do pavilhão.

Tem que ter nome: Precisa ter reputação e respeito.

Tempo: Período de prisão.

Tesoura: Arma branca improvisada.

Teto: Limite (de algo permitido).

Tiração: Roubo.

Tirar: Roubar.

Tirar a camisa: Sair da facção (ato simbólico).

Tirar cadeia: Cumprir pena.

Tirar de giro: Sair da rotina da prisão.

Tirar um barato: Se divertir, zombar.

Tirar uma: Cumprir pena.

Tiro: Roubo (gíria menos comum).

Toca: Esconderijo.

Tocado: Escondido.

Toguro: Pessoa forte e intimidadora.

Tomar: Ser roubado ou agredido.

Tomar bronca: Ser repreendido.

Tomar um flagra: Ser pego em flagrante.

Tombo: Prisão.

Torcida: Grupo de apoio a um preso influente.

Torre: Guarita.

Trafica: Venda de drogas.

Traficante: Pessoa que vende drogas.

Trampo: Trabalho (legal ou ilegal) realizado dentro da prisão.

Tranca: Fechamento das celas.

Transferência: Mudança de um preso para outra unidade prisional.

Treta: Problema, confusão, briga.

Tribunal: Julgamento.

Tribunal do Crime: Julgamento informal dentro da prisão, geralmente por membros de uma facção.

Tripa: Bebida alcoólica improvisada.

Tromba: Usuário de drogas.

Tronco: Cela de isolamento (gíria menos comum).

Tropa: Grupo de presos da mesma facção.

Truco: Pessoa ingênua (similar a “pato”).

Truta: Companheiro, amigo leal.

Tudo dois: Tudo certo, tudo bem.

Tumulto: Confusão generalizada.

Turma: Grupo de presos.

U

Unidade: Prisão.

Unir: Juntar-se a um grupo ou facção.

Urubu: Pessoa que se aproveita da desgraça alheia.

Usina: Local de produção de drogas (gíria menos comum).

V

Vacilão: Pessoa que comete erros ou não cumpre acordos.

Vacilar: Cometer um erro, não cumprir um acordo.

Vagabundo: Pessoa sem ocupação fixa (pode ter conotação negativa).

Valeu: Obrigado.

Vapor: Pessoa que vende drogas em pequena escala.

Varejo: Venda de drogas em pequena quantidade.

Vazou: Foi embora, saiu.

Vê se te manca: Se comporte, tenha juízo.

Veneno: Raiva, rancor. “Estar no veneno” significa estar com raiva.

Verdura: Maconha (gíria menos comum).

Verga: Pênis (usado em ofensas ou conversas informais).

Vexame: Situação constrangedora.

Vida: A rotina e as dificuldades da prisão.

Vidro: Crack (gíria menos comum).

Vigia: Pessoa que observa para alertar sobre a presença de agentes.

Visão: Entendimento, percepção da situação. “Pegar a visão” é entender.

Visita: Dia em que familiares e amigos podem visitar os presos.

Visita íntima: Visita conjugal.

Voadora: Agente penitenciário que age com truculência (gíria menos comum).

Volante: Grupo de agentes penitenciários que fazem rondas.

Voltar pra casa: Ser solto.

Vulcão: Rebelião (gíria menos comum).

W

(Poucas palavras começam com “W” no jargão prisional brasileiro, geralmente são adaptações de termos em inglês ou gírias muito específicas e regionais.)

Whisky: Cachaça (em algumas gírias regionais, por associação à bebida alcoólica).

X

X-9: Informante, “cagueta”.

Xadrez: Prisão (referência às grades).

Xarope: Pessoa chata, inconveniente.

Xaveco: Conversa para conseguir algo, geralmente de cunho sexual ou para obter favores.

Xepa: Restos de comida.

Xingamento: Palavras ofensivas.

Xixi: Urina (usado em contextos de higiene ou necessidades básicas).

Y

(Assim como 0 “W”, poucas palavras começam com “Y”)

Yamaha: Bicicleta (gíria muito específica e rara).

Z

Zebra: Agente penitenciário novato ou inexperiente (gíria menos comum).

Zé Droguinha: Usuário de drogas.

Zé Ruela: Pessoa insignificante ou boba.

Zica: Azar, má sorte. “Tá zicado” significa que a situação está ruim.

Zinco: Dinheiro (gíria antiga e menos comum).

Zoião: Pessoa curiosa ou fofoqueira.

Zona: Área da prisão (ex: “zona de triagem”).

Zumbi: Pessoa sob efeito de drogas.

 

Pesquisa: Resistência e Luta